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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Personagens da História - Senador DR. JOSÉ MENDES PEREIRA DE VASCONCELOS

Inauguração do Colégio João Cordeiro em 1976 ele esta situado na Rua
Dr. José Mendes Pereira de Vasconcelos no centro da cidade


Uma vez que o Doutor José Mendes Pereira de Vasconcelos foi o redator chefe do Jornal Município de Sant’Ana até 1889, conhecer a sua vida e formação é algo necessário para compreendermos a redação do folhetim que contou a história de Santana do Acaraú até 1881.

DADOS BIOGRÁFICOS
Filho de Antônio Mendes Pereira de Vasconcellos e Theodora Ferreira Mendes, José Mendes Pereira de Vasconcelos nasceu a sete de Janeiro de 1844 na freguesia de Sant’Anna.
Começou em 1858 (aos 14 anos), na cidade de Sobral, os estudos que lhe prepararam para o concurso de praticante da Alfândega de Pernambuco, no qual foi admitido em cinco de dezembro de 1863 (aos 19 anos).Exerceu esta atividade até 22 de Abril 1869, quando assumiu o cargo de amanuense da Recebedoria da Província de Pernambuco, cargo para o qual foi nomeado por concurso em 10 de Abril do mesmo ano.Dois anos antes de assumir o posto de amanuense, em 1867, matriculou-se na Faculdade de Direito do Recife, formação que concluiu em 15 de Novembro de 1871, aos 27 anos de idade.
A FORMAÇÃO NA FACULDADE DE DIREITO DO RECIFE
Instituída, após a independência do Brasil da Metrópole portuguesa, juntamente com a de São Paulo, a Faculdade de Direito do Recife foi criada, em 1828, a fim de favorecer o surgimento de uma elite intelectual com pensamento próprio, distante das ideias, valores e da cultura da Metrópole Portuguesa.Um novo e independente país necessitava de uma identidade própria, de um arcabouço jurídico e legal próprio, e de uma elite intelectual capaz de enfrentar os desafios advindos da conquista da independência.Com o início dos cursos de direito no Brasil, tornava-se, de forma ascendente, a profissão e a carreira do ‘Bacharel’, muito estimada, não só pelo curso ou a profissão em si, mas pela carga simbólica atribuída ao profissional de direito e por conta das possibilidades políticas que se abriam a quem dispunha de tal formatura.
Das duas faculdades de direito saíram ministros, senadores, governadores, deputados, escritores e jornalistas, “pensadores que ditaram os destinos do país”. Schwarcz, em seu livro ‘O Espetáculo das Raças’, cita um trecho de um artigo da Revista Acadêmica da Faculdade de Direito do Recife, (edição de 1904), onde um aluno, em 1831, ao descrever o status da profissão de Bacharel, afirma que no Brasil havia “duas aspirações: obter para si patente de guarda nacional e conseguir o gráo de bacharel ao menos para um de seus descendentes”. Essa, por certo, terá sido também, a aspiração dos pais de José Mendes Pereira.Quando foi admitido na Faculdade de Direito do Recife, esta se encontrava em fase onde já havia vencido as dificuldades de sua instalação no Recife, bem como a incipiente etapa de Olinda onde, por primeiro, havia se instalado.
Nesta, não só reformas físicas ocorreram. A Reforma Acadêmica de 1854, instituída pelo decreto 1386, estabeleceu regras para disciplinar desde o calendário de aulas até o número de reprovações, bem como inseriu no currículo as disciplinas de direito romano e direito administrativo de forma permanente, dando um passo significativo de ruptura com o modelo curricular anterior que era praticamente uma cópia do da faculdade de Coimbra, marcadamente monarquista. 
Toda a reforma curricular deste período buscava o rompimento com o pensamento Metafisico em função da adoção de um pensamento cada vez mais lógico, positivista e evolucionista.
Além disso, neste momento, a Faculdade de Direito do Recife já dispunha de professores que haviam sido formados nas academias brasileiras e que gozavam de prestígio nacional; e o País de um “arcabouço de leis (sem falar da própria Constituição de 1824), de comentários doutrinários a essas leis e decisões judiciais que constituíam um «sistema» eminentemente brasileiro, com tipicidades marcantes e diversas de qualquer outra experiência jurídica estrangeira, mesmo a portuguesa”.
Schwarcz cita, em seu livro acima referido, um trecho de um prefácio escrito por Silvio Romero num livro de Tobias Barreto que descreve bem este período: O decênio que vai de 1868 a 78 é o mais notável de quantos no século XIX constituíram nossa vida espiritual... De repente a imutabilidade das coisas se mostrou... Um bando de ideias novas esvoaçou sobre nós de todos os pontos do horizonte... Positivismo, evolucionismo, darwinismo, crítica religiosa, naturalismo, cientificismo na poesia e no romance, novos processos de crítica e história literária, transformação da instrução do direito e da política, tudo então se agitou e o brado de alarma partiu da Escola do Recife. (Grifo nosso)
Em Recife a presença de estudantes cearenses era marcante, tanto pela sua quantidade, quanto pelo que produziam no tocante a atividades culturais e literárias. Muitos foram os centros, sociedades e associações fundadas por cearenses, dentre estas a mais conhecida foi a Sociedade Dezoito de Janeiro, promotora da arte dramática, da cultura e da literatura.
Depois da segunda metade do século XIX mais de 230 ‘bacharéis’ cearenses foram formados. Destes, muitos foram os que voltaram à sua terra natal para muito contribuir na justiça, nas letras e na administração pública da província.


Personagens da História - Senador JOÃO CORDEIRO



João Cordeiro nasceu em Sant’Anna a 31 de Agosto de 1842, sendo seus pais João Cordeiro da Costa, nascido a 15 de Abril de 1803 e falecido a 04 de Outubro de 1892, em Fortaleza, e Dona Floriana Angélica da Vera Cruz, falecida em Sant’Anna a 30 de Julho de 1880.
Seus bisavós paternos são de Minas Gerais e os maternos, naturais do Ceará e pertencentes à família Farias.
Com pendor para a vida comercial, foi empregado da firma Severiano Ribeiro da Cunha e Irmão, em Fortaleza e Mossoró, e depois estabeleceu-se por conta própria, fazendo grandes transações na casa, de que era chefe.
No período, tão brilhante para a história cearense, o movimento abolicionista representou papel saliente no posto de Fundador e Presidente da Sociedade Libertadora Cearense.
Dado o movimento a 15 de Novembro de 1890, João Cordeiro, que já muito figurara na política da província como adepto da causa liberal do lado de Rodrigues Júnior, Senador Paula Pessoa, José Pompeu, Liberato Correia e outros, assumiu a direção do movimento no estado e constitui a 16 de Novembro de 1890 com Manoel Bezerra, João Lopes, Barbosa Lima, Catunda, José Bizerril e Lobato de Castro, uma comissão Executiva, que Governou sob  o nome do Cel. Luiz  A  Ferraz, a quem por força das circunstâncias colocara à frente da administração.
Nesse tempo até 04 de Abril de 1891, João Cordeiro teve nas suas mãos os destinos do Estado, deixando naquela data o poder com o ato do Governo Federal, que lavrara sua demissão e do Major Benjamim Liberato Barroso dos cargos de 1º e 2º vice – governadores e lhes dera substitutos nas pessoas do Gal. José  Clarindo de Queiroz e Ten. Cel. Feliciano  Antônio Benjamim, então comandante da Escola Militar do Ceará.
Depois de haver representado o Estado natal, na Câmara dos Deputados Federais por dois mandatos (07-05-1906 à 31-12-1908) e (03-05-1909 à 31-12-1911) e no Senado Federal por dois mandatos (1892 à 1897) e  (1897 à 1905), foi despachado na presidência Nilo Peçanha para Governador do Acre, mas não chegou a assumir a administração, diante da oposição levantada por alguns políticos locais, a quem melhor seduzia a esperança da autonomia do território.
Em 1909 a convite do então Presidente Nilo Peçanha aceitou a nomeação para Prefeito de Alto Juruá no Acre, onde enfrentou o movimento de rebeldia.
João Cordeiro da Costa tomou parte nos movimentos de 17 à 32 e foi grande amigo do Cel. Joaquim Ribeiro. Foi ele quem trouxe preso até Fortaleza o infeliz Cel. Pessoa Anta.
Em sua longa jornada João Cordeiro foi Industrial, Comerciante, Comissário Geral de Socorro Público durante três anos de seca (1877 à 1879), ajudante de ordens do General Floriano Peixoto durante a revolta armada contra o Presidente. Diretor da Caixa Econômica do Ceará (1875 à 1879) , Presidente da Associação Comercial (1877 à 1878) e da Junta Comercial (1884), Presidente de Província do Ceará (16-11-1890 à 04-04-1891). Primeiro Secretário de Fazenda do Ceará
No Senado Federal foi membro das comissões de Comércio, Agricultura, Indústria e Artes, Obras Públicas e Empresas Privilegiadas. Foi participante ativo do movimento abolicionista no Ceará e fundou o Jornal Libertador e o periódico Mossoroense no Rio Grande do Norte.
João Cordeiro foi homenageado em Fortaleza com o nome de uma Rua no Centro da Cidade, recebeu homenagem com nome de ruas em várias cidades cearenses, e em Santana do Acaraú foi homenageado com o nome do Centro Educacional Municipal, de um Distrito na região de Serrota e da principal rua do centro da Cidade.
João Cordeiro faleceu em Fortaleza no dia 12 de Maio de 1931.
Fontes: Dicionário bibliográfico cearense – Barão de Studart
Fragmentos da história política do Ceará – Júlio Abreu

Conheça a bandeira de Santana do Acaraú




A bandeira de Santana do Acaraú, foi criada pela então primeira dama do município, Sra. Terezinha Arcanjo, no final de década de 1980 e teve inspiração na bandeira dos Estados Unidos. Sendo que as cores verde, amarelo, azul e branco foram inspiradas na bandeira do Brasil. A quantidade de listas deve ser a mesma quantidade de Distritos, atualmente nove Distritos, sendo eles: Mutambeiras (1833), Sede (1862), Parapuí (1933), Sapó e João Cordeiro (1963), Baia, Baixa-Fria e Barro Preto (1989) e Santa Rita (2007). E assim cada estrela representa também um Distrito, sendo a Estrela maior o Distrito da Sede do Município, local onde está localizada a cidade de Santana do Acaraú.

domingo, 18 de novembro de 2018

Prédios Históricos - Sobrado do Centro Cultural Padre Arakén


SOBRADO DO PADRE ARAKÉN, CONSTRUÇÃO DO SÉCULO XIX, ANTIGA CASA DA FAMÍLIA DO REFERIDO PADRE E ATUAL SEDE DO MEMORIAL DA PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA SANT'ANNA

Sobrado antes da reforma - Foto: Arquivo do Blog 
As construções com dois andares sempre constituíram, na história das cidades brasileiras, um sinal de grande poder monetário, status social e gosto requintado.
O sobrado do padre Arakén, o único de sua época e o único ainda hoje em seu bairro quanto ao estilo, muito pode contar do ramo da família Frota que habitou e habita a cidade de Santana do Acaraú: a história de “Frotas” orgulhosos de sua raízes portuguesas, de grande status social não só em Santana e com membros de sua família de renome local (Padre Francisco Arakén da Frota), regional (Dom José Tupinambá da Frota) e até nacional (Dom Jerônimo Tomé da Silva, Bispo Primaz do Brasil).
Conforme o Livro O Município de Sant’Anna e um Manuscrito que legou ao Memorial da Paróquia de Nossa Senhora Sant’Anna a Senhora Rosa Eronildes Pereira (Rosa Ramiro), o referido sobrado foi construído, na década de 40 do Século XIX, pelo Coronel Manoel da Frota de Maria (avô materno do Padre Arakén acima referido) na rua à época denominada 28 de Setembro, no local onde ficava a casa de taipa da fazenda do Padre Antônio dos Santos da Silveira, fundador da Capela em honra a Santa Ana que deu origem à Igreja matriz.
No relato que faz sobre Santana do Acaraú em seu livro Notas de Viagem, Antônio Bezerra afirma que “A parte norte, onde se acha igreja de N. S. Santana (...) tem os melhores prédios, observando eu, em alguns, certo asseio, comodidade e ricos móveis, que indicam prosperidade ou pelo menos amor de seus proprietários ao luxo.” 
Isto nos leva a pensar que a mobília e a organização da casa desta pequena porção da Família Frota não destoavam das demais do Bairro de Santana, nome pelo qual era conhecido o atual bairro da Matriz à época.
Antes de passar, em 2004, pela reforma e pela restauração parcial que lhe resgataria da deterioração que vinha sofrendo há mais de três décadas, o mesmo tinha uma estrutura interna bem diferente da que hoje se encontra: pisos superiores de madeira, uma escada de madeira que ligava o piso superior à sala contígua à Loja de tecidos do Coronel Manoel da Frota, outra escada em espiral que ligava os pavimentos superiores á cozinha que mais tarde foi dividida e transformada em duas casas que hoje lhe são vizinhas e outra no último piso que o comunicava com um mirante, estrutura para a observação da paisagem circundante.


Conforme o manuscrito supracitado foi neste sobrado que Manoel da Frota de Maria e Constança Maria do Carmo Sousa Lima tiveram seus filhos: Antônio Epaminondas da Frota, Maria Luísa da Frota, José (que morreu ao nascer) e Úrsula Amélia da Frota (mãe do padre Arakén).
Dele saiu Epaminondas com doze anos para estudar em Fortaleza (partindo desta para os Estados Unidos para formar-se em Engenharia Civil) e Maria Luísa quando se casou com José Mendes Pereira de Vasconcelos, Advogado e fundador do Jornal: O Município de Santana.
Nele, muitas vezes, o Senhor Frota recebeu de maneira principesca alguns de seus ilustres parentes: Dr. Manoel Joaquim da Rocha Frota (que operou, com outro colega médico, a prima Úrsula de um mal ovariano), Dom Jerônimo Tomé da Silva (Bispo primaz do Brasil), Monsenhor Diogo José de Sousa Lima (que foi vigário da Meruoca e de Sobral), seu irmão Padre Miguel Francisco da Frota (que foi Pároco de Santana em 1849), Dr. Antônio Plutarco Lima (Advogado de renome em Sobral), dentre tantos outros.
O sobrado já teve mil e uma utilidades; sede do jornal católico “A Defesa”, do Curso de Admissão Ginasial, da Banda de Música, do consultório dentário do Dr. Edmilson Sampaio, da mercearia de José Emiliano e de residência particular. Desabilitado durante anos, foi reformado (três andares em seu interior) sem ferir a feição original e hoje é sede do Centro Pastoral Padre Arakem, onde possui um rico acervo da memória da Paróquia e abrigo para visitas da Casa Paroquial. Tem um espaço reservado para a instalação de uma futura emissora de rádio.

Com Informações de Leandro Costa - Blog Memorial de Santana do Acaraú 

Prédios Históricos - O SOBRADO DO PATRONATO SANTANA


Sobrado do Patronato Santana, na foto vê-se como era a rua
João Cordeiro antes de tantas modificações
Construção do século XIX, o sobrado que foi casa do padre Francisco Theótime de Maria Vasconcelos e de sua sobrinha Ana Greviz, é um dos poucos prédios históricos de Santana do Acaraú que ainda não foi arrastado pela torrente de certo modernismo que assola nossa cidade.
Nos idos de 1884 o mesmo tinha como única vizinha a casa de parapeito do senhor João Ribeiro Pessoa Montenegro, tinha como rua de fundos uma rua denominada à época Rua da Viração e como rua lateral a Rua Sete de Setembro, atual João Cordeiro.
Já modificado em seu interior pelas Freiras da congregação Filhas de Santana, que nele moram desde 1960 quando o Padre Joviniano Loyola Sampaio o comprou do Senhor João Batista de Araújo Vasconcelos, o mesmo mantém sua magnífica fachada com treze janelas de frente, uma platibanda que já não se vê ou se percebe em muitos dos prédios históricos da cidade e bicas cujas bocas têm formato de bocas de jacaré. 


A importância deste edifício está nos muitos usos que se fizeram dele ao longo de sua existência. Além de residência do Padre Theótime, nele já funcionaram o Cartório Eleitoral da cidade quando era Juiz Dr. Danúzio Studart Gurgel (desembargador), a Delegacia de Polícia, a primeira loja de tecidos do Senhor Antônio Pompeu, o consultório do dentista, natural da cidade de Chaval, Dr. Epitácio Oliveira, a alfaiataria de um tal senhor Venâncio e, por certo tempo, residência do Senhor João Crescêncio, foi ainda a primeira sede do Colégio João Cordeiro, a Agência de estatística do IBGE.
Hoje o referido sobrado além de casa das irmãs Filhas de Santa Ana, é abrigo de inúmeras crianças desnutridas que ali ficam para serem recuperadas de sua desnutrição.

Com informações do blog Memorial de Santana do Acaraú

Personagens da História - JOSÉ MARIANO DE ALBUQUERQUE CAVALCANTE




José Mariano de Albuquerque Cavalcante nasceu na Fazenda Pau caído do Município de Santana do Acaracú em 20 de Maio de 1772. Era filho de Antônio Coelho Albuquerque, pernambucano, e Dona Maria da Conceição do Bonfim, de Sobral. Mudando-se para Recife ingressou na carreira das armas, tendo participado da Revolução de 1817 o que lhe valeu a prisão "de corrente no pescoço" e sofrimentos na Bahia e em Lisboa. Anistiado e restituído à sua patente militar nela reformado. Acusado do assassinato do Brigadeiro Manoel Joaquim foi condenado a degredo perpétuo numa das prisões da Ásia, pena que não foi cumprida . Perdoado, voltou ao Recife, onde concorreu para a deposição da junta organizada com a expulsão de Luiz Rego.
Com a Proclamação da independência e convocada a Constituinte, foi José  Mariano um dos Deputados que representaram nela o Ceará. Após a modificação do primeiro Imperador foi nomeado Presidente da Província do Ceará, cargo em que se empossou no dia 08 de Dezembro de 1831, recebendo-o das mãos de Rocha Lima. A sua gestão enfrentou sérias dificuldades de ordem política motivada pela ação de Joaquim Pinto Madeira e do Pe. Antônio Manoel de Souza tendo ido pessoalmente combatê-los no sul da Província.
Foi José Mariano quem pôs em execução no Ceará o Código de Processo Criminal do Império e instalou em 08 de Julho de 1833 a Tesouraria da Fazenda. Rebentou a sedição militar de 10 de Novembro chefiada pelo Major Francisco Xavier Torres, os Tenentes João da Silva Pedreira, João Antônio de Noronha e José Joaquim Soares Carneviva, os alferes Felipe da Silva Santiago Boi e João Batista de Melo e o cadete Marcos de Castro e Silva, José Mariano deixou o cargo em 29 de Novembro de 1833 sendo substituído por Inácio Correia de Vasconcelos.
Em Maio de 1834 José Mariano tomou assento na Câmara Temporária e, encerrada ela, presidiu as Províncias de Santa Catarina (1835-1836) e Sergipe ( 1837 ), retirando-se desta última por motivo de renúncia do Regente Feijó. Faleceu a 20 de Agosto de 1844 no seu sítio Guapemirim, em Majé, Estado do Rio de Janeiro. Casara-se duas vezes, sendo a primeira a 11 de Fevereiro de 1789 com Dona Ana América Uchoa. O casamento realizou-se no sítio Freicheiras na Serra da Meruoca, tendo como celebrante o Vigário da Freguesia, Pe. Basílio Francisco dos Santos. Casou-se em segunda núpcias com D. Cândida Rosa de Albuquerque Cavalcante, filha de José de Barros Lima, o "Leão Coroado".
    Pesquisa de Audifax Rios
Obras consultadas: Evolução Histórica cearense de Raimundo Girão.
Dicionário Bio-Bibliográfico Cearense e Geografia do Ceará, do Barão de Studart.

Personagens da História - Frei Christóvão de Lisboa

Amigo pessoal de Martim Soares Moreno, Frei Cristóvão de Lisboa é o homem responsável pelo surgimento de Santana do Acaraú, conheça todos os detalhes de sua vida e sua obra em nosso blog.  

Frei Cristóvão de Lisboa escreveu o manuscrito que
deu origem a Santana do Acaraú - Arquivo do Blog

Nascido na cidade de Lisboa em 25 de julho de 1583, Cristóvão Severim de Lisboa foi, desde o berço, uma pessoa predestinada a grandes feitos.
Filho de Gaspar Severim, sua ascendência remontava diretamente ao grande cronista português Rui de Pina - não é de se admirar, portanto, que tenha recebido desde criança uma esmerada educação.
Naturalmente dotado de fina perspicácia e arguta inteligência, Cristóvão de Lisboa logo se tornou um grande letrado. Bastante jovem ainda, já causava admiração sua vasta cultura humanística e a surpreendente habilidade que exibia na arte da oratória. Seu destino certo parecia ser a política: embora não fosse abastado financeiramente, tinha as necessárias conecções familiares, talento social e conhecimento de sobra para seguir uma brilhante carreira na Corte portuguesa. Mas não foi isso que aconteceu.
Foi chamado por Deus para o sacerdócio.
Ingressando na Ordem dos Capuchos, o agora frei Cristóvão de Lisboa logo se notabilizou pela qualidade de suas pregações e pelo poder de uma oratória perfeita, inflamada.
Galgou rapidamente uma série de importantes cargos dentro da hierarquia da Igreja: qualificador do Santo Ofício, guardião do convento de Santo Antônio de Lisboa, definidor da província, comissário da província de Portugal, bispo de Angola.
Em 1624 embarcou para o Brasil em companhia do primeiro governador do Estado do Maranhão, Francisco Coelho de Carvalho. Vinha como Visitador Eclesiástico e Comissário do Santo Ofício. Tinha também a missão de evangelizar.
Vivia-se, então, uma era sombria e violenta.
A Europa estava convulsionada, dividida por querelas religiosas entre católicos e protestantes e assolada por um dos mais violentos conflitos de sua história – a Guerra dos Trinta Anos, que desde 1618 vinha devastando nações inteiras e gerando montanhas de cadáveres.
No Brasil, como de resto em todo Novo Mundo, o panorama não era melhor.
O Nordeste brasileiro sofria uma ampla invasão holandesa, patrocinada pela Companhia das Índias Ocidentais. A licenciosidade imperava entre os colonos, a corrupção era endêmica entre as autoridades portuguesas e, para piorar um quadro já bastante caótico, as bandeiras patrocinadas pelos grandes proprietários rurais entravam sertão adentro em busca de mão-de-obra escrava para as lavouras, dizimando nesse processo tribos inteiras e gerando um perigoso clima de revolta entre os índios.
Segundo as instruções trazidas da Corte, a prioridade de Carvalho Coelho não era assumir de imediato o governo do Maranhão, mas permanecer em Pernambuco e ajudar de todas as formas possíveis a luta travada pelos brasileiros contra o invasor holandês. Frei Cristóvão, reconhecendo a inutilidade de permanecer ao lado do governador sem nada poder fazer para auxiliá-lo efetivamente, decide seguir adiante.
Acompanhado por dezoito missionários, iniciou a perigosa jornada rumo ao Maranhão. No Ceará, atendendo ao pedido do capitão Martins Soares Moreno, deixou dois de seus companheiros de viajem no forte de Nossa Senhora do Amparo e finalmente alcançou São Luís em 05 de agosto de 1624.
O povo e o capitão-mor receberam frei Cristóvão com toda cordialidade.
De posse dos documentos recebidos de D. Bartolomeu Ferreira, que administrava à época a Prelazia de Pernambuco, frei Cristóvão assumiu formalmente os encargos de primeiro vigário e provisor da paróquia do Maranhão.
Iniciou imediatamente seu trabalho missionário. Em apenas cinco dias providenciou para que o Convento, abandonado desde a mudança dos jesuítas para uma nova residência da ordem na região do Munim, fosse reconstruído - e lá abrigou sua companhia. Ao mesmo tempo, empreendeu todos os esforços para a construção, em terreno próprio, do Convento de Santa Margarida, inaugurado por ele em 01 de fevereiro de 1625.
Foi então que frei Cristóvão, no curso natural de sua visão de catequizador, mexeu num vespeiro – publicou um Alvará, em 15 de março de 1625, que tirava do poder dos colonos a administração dos índios.
A reação de descontentamento da população de São Luís foi imediata, e as autoridades locais temeram um levante geral, a exemplo do que já quase acontecera pouco tempo antes, quando a colônia esteve a um passo da insurreição aberta por conta da tentativa ensaiada pelos jesuítas de impedir que os colonos capturassem os indígenas para o trabalho escravo nas lavouras.
Inabalável em seu propósito de defender os nativos, frei Cristóvão viaja até Belém e, naquela cidade, tenta de todas as formas que a Câmara local, sob cuja jurisdição estava a de São Luís, determine a imediata execução de seu decreto - mas seus esforços nesse sentido não surtem qualquer efeito. Sob o argumento de que a decisão requerida era de competência exclusiva do governador, e achando-se esse ausente, a Câmara simplesmente cruza os braços e nada faz.
Frei Cristóvão acusa o golpe. Profundamente contrariado, deixa Belém e segue para o Tocantins, passando a seguir para o Cametá. Exerce com critério suas funções de Visitador Eclesiástico, fiscalizando as atividades dos missionários que realizam a catequese do gentio naquelas paragens - só não consegue esquecer a desfeita que fora imposta a si e a seu alto cargo.
Já de volta a São Luís, resolve radicalizar: em 21 de dezembro de 1625, na aldeia de Una, baixa uma provisão de excomunhão sumária contra todos aqueles que, de alguma forma, julga opositores de seu Alvará.
Se as relações entre a população e a Igreja já não eram boas, a partir daí pioram consideravelmente. Mais uma vez São Luís é sacudida por brados de revolta. Alarmadas, as autoridades resolvem intervir. Uma comitiva vai até Belém e consegue que a Câmara de lá reclame com veemência e condene como improcedente e injusta a decisão tomada por frei Cristóvão.
Aconselhado por amigos próximos, mais uma vez o Visitador é obrigado a ceder – ainda que a contragosto, suspende a excomunhão imposta aos seus desafetos. Sua indignação, contudo, não conhece limites.
Escrevendo ao Provincial de sua ordem, frei Cristóvão acusa os colonos de São Luís de irreligiosidade e, sem meias palavras, aponta todos os seus muitos vícios. Acusa também as autoridades locais - por ele julgadas coniventes com o estado de degradação moral da colônia – de violentas e corruptas. Ninguém é poupado: o capitão-mor Muniz Barreiros é tachado de falso e impiedoso; os jesuítas, em especial o padre José Figueira, de insufladores da população contra a sua autoridade. Sem hesitar, afirma que esses eram os grandes perseguidores da Igreja no Maranhão, “maiores que os hereges no Levante e os turcos em toda Ásia”.
Encontra consolo nas letras – começa a escrever a História dos Animais e Árvores do Maranhão. Não demora muito, viaja para o Ceará, mas em 23 de junho de 1626 é interceptado por um bando de guerreiros tapuias do Periá. Dá-se uma batalha feroz, e ironicamente frei Cristóvão é obrigado assumir o comando da luta – logo ele, um homem de Deus, defensor dos indígenas.
De toda sorte, consegue forçar sua passagem pelo meio dos selvagens, embora com a perda total da bagagem. Já abrigado no forte de Nossa Senhora do Amparo, no Ceará, considera mais prudente esperar pelo governador do Maranhão, Francisco Coelho de Carvalho, que só depois de dois anos auxiliando as autoridades de Pernambuco em sua luta contra o invasor holandês consegue finalmente dirigir-se a São Luís.
Eleito para Custódio do Maranhão a cujo Estado se achava ligado o território do Ceará, empreendeu viagem de missão, saindo de São Luiz no dia 13 de Maio de 1626. Ao chegar na região de Ibiapaba foi acometido pela perseguição dos índios Tapuias que habitava nestas selvas. Ao ser livre dos ataques, depois de uma penosa noite de acompanhamento no serrote do Olho D’água, antes de prosseguir viagem após as orações, debruçado numa pedra, prometera erguer nesta localidade à margem direita do Rio das Garças ou Rio Acaracú (hoje rio Acaraú) na linguagem indígena (ninho de garça), uma capela sob a invocação de Senhora Sant’Ana.
A promessa de Frei Cristóvão de Lisboa, ficou gravada num manuscrito que ele mesmo escreveu, na madrugada do dia 16 de Junho de 1626 no amparo de sua equipe formada por 4 (quatro) padres e 25 (vinte e cinco) homens de armas.
Prosseguindo viagem, o missionário chega finalmente ao Fortim do Amparo (atual cidade de Aquiraz), no dia 25 de junho. No dia seguinte seu primeiro ato foi o batizado de uma índia filha de Diogo Pinheiro Camarão e neta de Jacaúna que recebeu na pia batismal o nome de Mecejana, nome esse escolhido por seu pai numa grata homenagem ao lugar onde nasceu a 21 de junho de 1626, Aldeia Mecejana.
Em 03 de setembro de 1626, Muniz Barreiros, último Capitão-mor do Maranhão, transmite o poder ao novo Governador. Frei Cristóvão está presente à cerimônia e saboreia o momento, certo de que o estado de coisas na colônia irá mudar para melhor.
Mas nada melhora de fato, e ele logo perde as esperanças.
Desiludido, acossado sem trégua pelos constantes ataques dos desafetos, frei Cristóvão, em 02 de janeiro de 1627, pede aos seus superiores que o substituam. Quer ir embora de São Luís. Seu pedido, porém, é recusado, e não lhe resta alternativa senão a de seguir cumprindo suas obrigações da melhor maneira possível.
Logo acontece o inevitável – desentende-se com o governador.
Coelho de Carvalho, no início de 1629, havia baixado um decreto estipulando que as entradas para a captura de índios ficavam restritas a apenas duas por ano – e mesmo essas precisavam de sua prévia e expressa autorização, além de contar com a assistência de um capucho. Profundamente desconfiado de que a intenção do governador nada tinha de meritória, mas visava apenas obter lucro ilícito em cima das concessões, frei Cristóvão recusa-se a indicar algum de seus capuchos para servir de assistente nas entradas, alegando para tanto que os estatutos da ordem não permitiam semelhante missão.
Diante de tal negativa, o governador volta atrás e, com a desculpa de não querer causar prejuízos aos colonos, revoga o decreto. rei Cristóvão ganha aí mais um antagonista.
Embora cada vez mais isolado na colônia, ele procura cumprir diligentemente todas as muitas obrigações impostas pelo cargo que exerce - ama a terra e o apostolado, e ao longo dos anos em que permanece em São Luís escreve grande parte de sua obra.
Quando finalmente regressa ao Reino, segue defendendo seus ideais e conquistando a admiração de todos com a força de suas palavras - profere uma série de famosos sermões, como o da 5ª. Sexta-feira da Quaresma, na Capela Real, em 27 de março de 1648. Torna-se um ardoroso defensor da soberania portuguesa, e é com galanteria que empunha essa bandeira até o final da vida.
Doente e cansado de tantas lutas, falece em 1652.

Quem é Manoelzinho Canafístula?

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Quem é Manoelzinho Canafístula?

Manoel Rosa Filho é conhecido popularmente como Manoelzinho Canafístula, tem 44 anos, é Jornalista Profissional (1996), Professor (1996), Radialista (1997), Micro Empresário de Serviços (2007), Político (1996/2018), Líder Comunitário (1996/2018) e Estudantil (2003/2017). Nasceu em Agosto de 1973 no Município de Santana do Acaraú, é divorciado, tem uma filha Assistente Social e Advogada e dezenas de afilhados pelo Ceará. Residiu por 14 anos na cidade de São Paulo. Trabalhou para as duas maiores empresas do mundo, a francesa Carrefour (1986/1993) e a americana Dun e Bradstreet Div. Nielsen (1994/1995). Em Santana do Acaraú foi Vereador (2007), Secretário de Cultura, Turismo, Desporto e Juventude (2008), Assessor Especial do Gabinete do Prefeito (2013) e Servidor Público Municipal de Santana do Acaraú efetivo (2004/2005) e Servidor Contratado da Prefeitura de Sobral (2017/2018).
Fundou os Jornais Correio Santanense (2001/2005), Tribuna do Vale (2009) e a Voz do Vale (2012/2016). Criou o blog "Tribuna dos Vales" em novembro de 2016. Foi presidente de Associações Comunitárias e conselheiro de sete conselhos municipais, sendo presidente de três deles: Conselho da Criança e do Adolescente, Conselho de Habitação e Conselho de Segurança. Prestou serviços de Assessoria de Comunicação e Imprensa e foi Mestre de Cerimônia para órgãos públicos e privados em diversas cidades da região noroeste do Ceará, incluindo Sobral. Participou de dezenas de cursos, congressos, conferências, seminários, jornadas e oficinas no Ceará e no Brasil.
Mora na cidade de Sobral desde outubro de 2016. Em Santana do Acaraú é conselheiro municipal do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente, Conselho da Assistência Social, Conselho Municipal de Habitação de Interesse Social e do Conselho Comunitário de Defesa Social. 

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